4 de mar. de 2011

lembranças!

E hoje vejo o vento vazio e gelado penetrando sobre minha pele. Causando uma espécie de leveza em minha alma. As árvores se balançam vorazmente, hora parecendo felizes, hora tristes, hora furiosas. E me vem na cabeça cada lembrança do meu passado. Vejo que tudo valeu a pena. “Pena?” palavra errada. Mesmo vendo que cada coisa que passou foi boa, e outras coisas ruins. Não me arrependo de nada do que fiz, e sim do que deixei de fazer. E hoje, o brilho do sol, o balanço das árvores poderiam não ter me dito nada. O vento gelado poderia ter feito eu fechar a janela rapidamente. Mas eu fiquei ali, parada, observando. E quando fechei os olhos imaginei cada momento que vivi, e pude ouvir um universo inteiro vibrando à meu favor. E só uma palavra pulsava em minha mente: Continue.

Gritos no silêncio, lágrimas que insistem em ficar caindo, feito gotas de chuva numa tempestada fria, solidão amarga que te sufoca e não te deixa sair, um vazio no coração e a dor inacabável. Até quando suportá-la? Onde está a saída desse pesadelo? Eu só queria ser mais forte à ponto de jogar tudo pro alto, e deixar de vez a fragilidade e tentar encontrar minha paz. Será essa a minha paz? Esse espaço vazio no meu quarto, da minha vida - sem cor, sem luz, sem vida?  (Letícia Nogara)

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