Um vazio entra em minha alma, algo tão estranho. Parece-me que não tenho mais motivos para viver, pois não tenho tu aqui comigo. Sinto uma dor dentro de mim, parece que o coração tá chorando, mas não tá conseguindo pôr pra fora tudo o que sente. Tenho medo de magoar as pessoas, mas de uns tempos pra cá, são elas que me magoam. Me sinto uma boneca nova pronta pra ser manipulada, que as pessoas brincam e depois deixam lá num canto e só me usam de novo quando estão entediadas.
De uns tempos pra cá, até a esperança que permanecia dentro de mim resolveu me abandonar.
Me sinto um pouco perdido nos meus próprios sentimentos, e embora isso possa causar uma sensação um pouco atraente por ser um instante especialmente meu, sempre há aquele momento exato entre as coisas, onde a alegria é indescritível, e então, de repente, a graça simplesmente se foi, como a luminosidade dos fogos de artifício no alto do céu escuro e brilhante; apenas já aconteceu. E na primeira nota da música que eu procuro consolo ao ouvir, consigo me ver indo para outra dimensão, mas ainda tão inatingível e complexo que o efeito que o som causa é completamente oposto à idealização. As lágrimas não vêm por conta própria, se pararmos para perceber. O choro insiste em se prender em uma parte imaginária bem no centro da garganta; e para, e insiste em não sair, e aumenta, então explode - e implode. O confuso se encontra no fato de que ninguém pode te ajudar mais do que você mesmo pode; como se você fosse o próprio garçom do seu aniversário. O alívio sempre vem com o tempo, depois de uma duradoura tempestade de dor e a perda de si mesmo. Se o destino faz errado e atrapalha, eu não sei. Mas sempre o agradeço por isso, porque, assim, sempre me sinto vivo, e mesmo com a dor, consigo (e quero) continuar rente à frente da jornada que termina em algum ponto do horizonte que, como minha parte emocional confusa, talvez nunca possa encontrar e decifrar.
As coisas nunca são do jeito que eu queria. E quando são, eu não quero.
Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim.
Eu só te peço uma coisa: Pare de culpar a vida. Pare de ter pena de você. Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate. Mas se perdoe. Pelo amor de Deus, se perdoe. Somos todos culpados, se quisermos. Somos todos felizes, se deixarmos.
E hoje à noite, vou dormir com você em meu coração.